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Patrono PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Administrator   
Sexta, 04 Dezembro 2009 10:53

António Francisco Colaço, nome que figura na própria designação desta Escola e cujo busto se encontra patente à entrada do edifício escolar, representa uma personalidade castrense que esteve ligada à história local e que, na qualidade de patrono, se associou à lógica de Educação e Ensino neste Concelho.

De facto, os motivos que presidiram à escolha deste patrono para uma instituição de natureza educativa, remontam aos anos sessenta e à criação de um Colégio de Ensino Particular em Castro Verde (1961/62–1976/77), institucionalmente nomeado como Externato Dr. António Francisco Colaço, cuja estratégia educativa, de então, viabilizou a construção do edifício escolar, actualmente, remodelado e ocupado pela Escola Básica do 2.º e 3.º Ciclos – Dr. António Francisco Colaço, sede do Agrupamentos Vertical de Escolas e Jardins de Infância do Concelho de Castro Verde.


Deste modo, a homenagem subjacente à ideia de patrono encerra, por um lado, a necessidade de credibilizar e prestigiar a iniciativa supramencionada, sobretudo, devido à filosofia demasiado selectiva e centralizadora das políticas educativas nacionais dessa época e, por outro lado, o propósito de reconhecimento público de um médico local que se evidenciou pelo espírito altruísta com que, sempre, pautou a sua prática profissional e intervenção social.

Com efeito, António Francisco Colaço (1866-1934), natural de Castro Verde e proveniente de uma família de recursos patrimoniais e financeiros significativos, estudou medicina em Lisboa, onde não ficou indiferente a uma participação política intensa na defesa
inabalável das suas próprias convicções republicanas, mas, optou por Castro Verde para o exercício da sua actividade profissional.
É, pois, como médico, mas, também, como matemático que a sua competência e dedicação mais se evidenciam, quer em termos locais, quer, mesmo, do ponto de vista nacional.


Assim, em Castro Verde e no exercício da medicina, notabiliza-se pela disponibilidade e gratuitidade dos serviços médicos prestados e pela inusitada atitude de solidariedade para com os seus pacientes, a quem atendia e consultava onde e quando fosse necessário, suportando as despesas com a medicação e/ou oferecendo a sua contribuição para a alimentação dos mesmos.


Como matemático, desenvolveu, igualmente, uma actividade de estudo, reflexão e investigação, bem patente nos trabalhos publicados com a chancela da Academia das Ciências de Portugal, instituição de que era membro.

Foram, sem dúvida, todo um percurso profissional de sucesso e uma peculiar sensibilidade aos problemas sociais que, a título póstumo, determinaram o consenso sobre este médico local para figurar como patrono do referido Externato.

Todavia, sendo proveniente de uma família abastada, tal consenso perfilhava, também, uma estratégia prática de envolvimento familiar, no sentido de uma efectiva mobilização que visava o apoio financeiro ao projecto de Ensino Particular que o próprio Externato consubstanciava.
Esta perspectiva estratégica de ligação deste projecto aos grupos familiares mais poderosos, foi, desde logo, desencadeada e acarinhada pela própria família do patrono que, nas pessoas da esposa e dos filhos, se prontificou a um contributo financeiro importante, transformando-se em accionista maioritário (45% das acções).

Mas, se tal participação financeira foi crucial para a criação e edificação das próprias instalações educativas, que, ainda hoje, servem o desígnio de educação e de formação dos jovens do Concelho de Castro Verde, refira-se, também, que, paralelamente, foi a regularidade com que a família do patrono ia cedendo inúmeras contribuições pecuniárias que acabou por ser determinante no equilíbrio financeiro e na sustentabilidade da instituição.
Actualmente, bem distante da necessidade de lógicas privadas de escolarização, a Escola Básica do 2.º e 3.º Ciclos - Dr. António Francisco Colaço, como instituição de Ensino Público, permanece ao serviço da formação das futuras gerações e preserva, na sua toponímia, o reconhecimento inequívoco por quem se revelou um pilar fundamental em matéria de educação e ensino no Concelho de Castro Verde.

(Extraído do livro “A escola do Paraíso” de Francisco Tonim)

 

Actualizado em Sexta, 04 Dezembro 2009 11:05